Uso Indevido da Imagem de Influenciador Digital: Quais São os Seus Direitos?

Uso Indevido da Imagem de Influenciador Digital: Quais São os Seus Direitos?

Para influenciadores digitais, a própria imagem pode estar diretamente ligada à atividade profissional, à reputação e à geração de receita. Fotografias, ví...

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Para influenciadores digitais, a própria imagem pode estar diretamente ligada à atividade profissional, à reputação e à geração de receita. Fotografias, vídeos, nome, voz e outros elementos que permitam identificar o criador podem ser utilizados diariamente em redes sociais, campanhas publicitárias, conteúdos patrocinados e diferentes projetos comerciais.

Por isso, o uso indevido da imagem de influenciador digital pode gerar consequências jurídicas quando alguém utiliza esse conteúdo ou a identidade do profissional sem autorização ou fora dos limites que foram efetivamente autorizados. A análise, porém, depende da forma de utilização, da finalidade, do contexto e de eventual existência de contrato.

A legislação brasileira protege o direito de imagem e estabelece instrumentos que podem ser relevantes para quem identifica uma utilização não autorizada. Entender esses direitos é importante tanto para prevenir problemas quanto para saber quais medidas podem ser avaliadas diante de uma utilização indevida.

O que caracteriza o uso indevido da imagem de um influenciador digital?

O direito de imagem protege a possibilidade de cada pessoa controlar a utilização de sua representação visual e, em determinadas situações, sua exploração econômica. No caso dos influenciadores, essa proteção ganha especial relevância porque a imagem frequentemente integra a atividade profissional e possui valor comercial.

O problema pode surgir, por exemplo, quando uma empresa utiliza uma fotografia publicada pelo influenciador para divulgar produtos ou serviços sem ter autorização para aquela finalidade. Também pode ocorrer quando um terceiro reutiliza vídeos, fotografias ou outros conteúdos em anúncios, páginas comerciais ou campanhas, atribuindo ao influenciador uma relação com determinada marca que não existe.

Nem toda utilização de uma imagem publicada na internet é automaticamente ilícita. A existência de autorização, a finalidade da utilização, os termos de eventual contrato e o contexto da publicação precisam ser considerados. O fato de uma fotografia estar disponível publicamente em uma rede social, por si só, não significa que qualquer pessoa possa explorá-la comercialmente.

O direito de imagem está protegido pela Constituição Federal

A proteção do direito de imagem possui fundamento constitucional. O artigo 5º, inciso X, da Constituição Federal estabelece a inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, assegurando indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

A Constituição também assegura, no inciso V do mesmo artigo, o direito de resposta proporcional ao agravo, além da possibilidade de indenização por dano material, moral ou à imagem.

Para o influenciador digital, isso significa que a exposição pública decorrente da atividade profissional não elimina a proteção jurídica sobre sua imagem. A notoriedade de uma pessoa não transforma sua imagem em conteúdo de livre exploração comercial.

Ao mesmo tempo, a proteção precisa ser analisada em conjunto com a liberdade de expressão, informação, comunicação e demais direitos constitucionalmente assegurados. Por essa razão, situações envolvendo reportagens, comentários, conteúdos informativos ou manifestações críticas podem exigir uma análise diferente daquela aplicável à utilização da imagem para fins publicitários.

O Código Civil também protege a imagem e o nome

O Código Civil possui regras específicas sobre os direitos da personalidade. O artigo 18 estabelece que, sem autorização, não se pode utilizar o nome alheio em propaganda comercial.

Já o artigo 20 prevê que, salvo situações autorizadas ou relacionadas à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra e a publicação, exposição ou utilização da imagem de uma pessoa podem ser proibidas a seu requerimento quando atingirem sua honra, boa fama ou respeitabilidade ou quando tiverem finalidade comercial.

Essa proteção é especialmente relevante para influenciadores porque a utilização de sua imagem em publicidade pode associar sua identidade a uma marca, produto ou serviço. Essa associação pode produzir efeitos econômicos e reputacionais que ultrapassam a simples reprodução de uma fotografia.

Usar uma foto pública de um influenciador permite utilizá-la em anúncios?

Em regra, o fato de uma imagem ter sido publicada publicamente não deve ser confundido com autorização irrestrita para exploração comercial. Uma fotografia disponibilizada em um perfil de rede social pode ter sido publicada para determinada finalidade, sem que isso represente consentimento para sua utilização por empresas, anunciantes ou terceiros em campanhas publicitárias.

É importante diferenciar o compartilhamento permitido pela própria plataforma, dentro de suas regras, de uma utilização comercial independente. Também é necessário verificar se houve autorização contratual e quais eram seus limites.

Um contrato pode estabelecer, por exemplo, o período de utilização, os meios de divulgação, os territórios alcançados e as peças publicitárias autorizadas. O uso posterior ou diferente daquele que foi contratado pode exigir nova autorização, dependendo das circunstâncias.

O contrato de publicidade deve ser analisado com atenção

Para influenciadores profissionais, contratos de publicidade e parcerias comerciais são instrumentos importantes para definir os limites da utilização da imagem. Cláusulas relacionadas à duração, canais de divulgação, finalidade, remuneração, exclusividade e possibilidade de reutilização do material podem ser determinantes para avaliar se houve extrapolação da autorização concedida.

Por isso, antes de concluir que determinada utilização é indevida, é recomendável verificar o contrato, as mensagens trocadas entre as partes e os materiais efetivamente publicados.

O que diz a Súmula 403 do STJ sobre o uso comercial da imagem?

O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado sobre a utilização não autorizada da imagem para fins econômicos ou comerciais. A Súmula 403 do STJ estabelece que independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.

O enunciado é particularmente relevante para situações em que a imagem de uma pessoa é utilizada comercialmente sem autorização. Contudo, sua aplicação deve respeitar os pressupostos do caso concreto e não significa que toda utilização de imagem na internet gere automaticamente uma indenização.

No caso de um influenciador digital, por exemplo, pode ser necessário verificar se houve efetivamente utilização comercial, se existia autorização anterior, quais eram seus limites e em que contexto a imagem foi empregada.

Assim, a análise documental continua sendo fundamental, especialmente quando existe contrato de publicidade, parceria ou cessão de direitos de uso de imagem.

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Quais medidas podem ser avaliadas diante do uso indevido?

Ao identificar uma possível utilização indevida, o primeiro passo é preservar as informações que demonstrem como a imagem está sendo utilizada. Isso pode ser importante porque conteúdos publicados na internet podem ser modificados ou removidos posteriormente.

Dependendo da situação, podem ser avaliadas medidas extrajudiciais e judiciais. Uma comunicação formal pode ser utilizada para solicitar a interrupção da utilização ou esclarecer a ausência de autorização. Quando houver exploração comercial, também pode ser necessário discutir os efeitos econômicos e os eventuais danos decorrentes da utilização.

Em situações que exigem uma providência judicial, a medida adequada dependerá do objetivo pretendido e das características do caso. A legislação civil permite, em determinadas circunstâncias, buscar a cessação de uma utilização indevida e eventual reparação pelos danos que forem juridicamente reconhecidos.

Não existe, portanto, uma única medida aplicável a todos os casos. A estratégia deve considerar a urgência, a extensão da divulgação, o conteúdo utilizado, a existência de contrato e as provas disponíveis.

Quais provas o influenciador deve guardar?

A documentação pode ser decisiva para demonstrar a ocorrência e a extensão do uso questionado. Sempre que possível, o influenciador deve preservar elementos que permitam identificar a publicação e seu responsável.

  • capturas de tela das páginas ou anúncios;
  • links das publicações e anúncios;
  • data e horário em que o conteúdo foi localizado;
  • fotografias, vídeos ou peças publicitárias utilizadas;
  • nome da empresa ou pessoa responsável pela divulgação;
  • contratos de publicidade e cessão ou autorização de uso de imagem;
  • conversas, e-mails e mensagens relacionadas à autorização;
  • informações que demonstrem eventual finalidade comercial da utilização.

Quando a situação envolver conteúdo digital relevante ou que possa desaparecer rapidamente, também pode ser necessário avaliar mecanismos de preservação de prova adequados ao caso.

A LGPD pode se aplicar ao uso da imagem do influenciador?

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) estabelece regras para o tratamento de dados pessoais e reconhece, entre seus fundamentos, a inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem.

Uma fotografia ou outro elemento que permita identificar uma pessoa natural pode, dependendo do contexto, estar relacionado ao conceito de dado pessoal previsto na legislação. Isso não significa, contudo, que todo conflito envolvendo direito de imagem será necessariamente resolvido pela LGPD.

A incidência da legislação de proteção de dados depende das características do tratamento realizado e das hipóteses previstas na própria lei. Em determinadas situações, portanto, podem coexistir questões relacionadas ao direito de imagem e à proteção de dados, enquanto em outras a discussão será predominantemente civil.

Essa distinção é importante porque a análise jurídica deve identificar qual legislação efetivamente incide sobre a situação e quais direitos podem ser exercidos diante do tratamento realizado.

O que fazer se uma empresa estiver usando a imagem sem autorização?

Quando uma empresa estiver utilizando a imagem de um influenciador em publicidade sem autorização aparente, é importante evitar uma reação baseada apenas em mensagens informais ou na exclusão imediata das provas. Antes de qualquer providência, vale documentar o conteúdo e reunir os contratos relacionados à imagem.

Em seguida, pode ser avaliada uma comunicação formal ao responsável, especialmente quando for possível identificar a empresa, agência ou pessoa que realizou a publicação. Dependendo do caso, o objetivo pode ser interromper a utilização, esclarecer a origem da autorização, obter informações sobre a campanha ou discutir eventual regularização.

Se não houver solução adequada ou se a situação exigir uma providência judicial, os documentos reunidos poderão auxiliar na avaliação das medidas cabíveis. A existência de dano, a possibilidade de reparação e a extensão de eventual responsabilidade dependem das circunstâncias concretas.

Dúvidas frequentes sobre uso indevido da imagem de influenciador digital

Um influenciador pode impedir o uso comercial de sua imagem?

Dependendo das circunstâncias, sim. O direito de imagem é protegido pela Constituição e pelo Código Civil, e a utilização comercial não autorizada pode ser questionada. É necessário verificar, porém, se houve autorização anterior e quais foram seus limites.

Se a foto estiver no Instagram, qualquer empresa pode utilizá-la?

Não necessariamente. A publicação de uma fotografia em uma rede social não equivale, por si só, a uma autorização geral para exploração comercial por terceiros. A finalidade da utilização e as regras aplicáveis devem ser analisadas.

O influenciador precisa provar prejuízo para buscar indenização?

Nos casos abrangidos pela Súmula 403 do STJ, a publicação não autorizada da imagem de uma pessoa com finalidade econômica ou comercial independe de prova do prejuízo para fins de indenização. A aplicação desse entendimento, contudo, depende da configuração da situação concreta.

O que fazer se a empresa retirar a publicação depois da reclamação?

A retirada do conteúdo pode ser relevante, mas não elimina necessariamente todas as questões jurídicas relacionadas à utilização anterior. Por isso, é importante preservar as provas da publicação antes que ela seja removida, especialmente quando houver possível exploração comercial.

Conclusão

O uso indevido da imagem de influenciador digital pode atingir não apenas um direito da personalidade, mas também um ativo diretamente relacionado à atividade profissional do criador. A Constituição Federal, o Código Civil e, conforme o caso, a legislação de proteção de dados oferecem mecanismos de proteção que precisam ser avaliados de acordo com as circunstâncias.

Ao identificar uma utilização não autorizada, é recomendável preservar as provas, verificar contratos e autorizações existentes e analisar a finalidade e a extensão da divulgação. A partir desses elementos, podem ser avaliadas medidas extrajudiciais ou judiciais adequadas ao caso.

A solução jurídica não é necessariamente a mesma para todos os influenciadores. A existência de autorização, os termos contratuais, a finalidade comercial, o conteúdo divulgado e os possíveis impactos da utilização são fatores que podem modificar a análise. Por isso, situações concretas devem ser examinadas individualmente, considerando documentos, provas e demais circunstâncias relevantes.

Foto de Rafael Favaretto Araújo Abreu, advogado OAB/MG 168.999

Conteúdo publicado em: 03/09/2026

Autoria técnica: Rafael Favaretto Araújo Abreu, advogado – OAB/MG 168.999

Revisão jurídica: Equipe jurídica do Favaretto Araújo Abreu Advogados